“Risco semanal”, avalia biomédico sobre auto hemoterapia

Biomédico alerta sobre prática da auto hemoterapia  Por: Caroline Raquel Schuh Sem eficácia comprovada, a auto hemoterapia gera preocupação da comunidade científica. Para o biomédico e farmacêutico Régis Carlos Benvenutti, o risco de reinjetar o próprio sangue semanalmente pode levar a problemas como inoculação de microorganismos, infecções, necrose tecidual, dermatite entre outros. Na entrevista abaixo, ele diferencia a técnica nova e outra secular. Onde e quando surge o conceito de hemoterapia? A hemoterapia é um procedimento consagrado que teve a primeira experiência em 1818, na Inglaterra. Posteriormente, teve a sua melhora a partir da descoberta do sistema ABO (classifica grupos sanguíneos em tipos A, B, AB e O), do sistema fator RH positivo e negativo, a partir do período científico, quando tivemos a descoberta do microscópio que serviu para se ter a visualização das células sanguíneas.  Por ser uma técnica consagrada e antiga, ela tem suas funções. Quais seriam? A hemoterapia é uma prática comum, rotineira na clínica médica e de extrema importância. Ela é comprovada cientificamente e utilizada para tratar distúrbios como anemia, leucemia, choque circulatório, quando há poucos elementos circulando nos vasos sanguíneos, e tudo isso já é consagrado. Tem uma relevância científica enorme. E qual a diferença entre a hemoterapia e auto hemoterapia? Quando adentramos os termos da auto hemoterapia, nós pisamos em um campo diferente. A auto hemoterapia é uma prática onde os defensores falam sobre a inoculação de sangue venoso no sistema muscular. Isso quer dizer o quê? É retirada alguma quantia de sangue, 05 ml aproximadamente, e introduzido em músculos como o glúteo ou músculos do braço. Segundo esses defensores, essa prática promoveria...

Produção leiteira: pandemia e estiagem afetam o setor

Por Katlen Karczewski* A silagem de milho é o principal alimento ingerido pelas vacas leiteiras. Foto: Katlen Karczewski. Com a pandemia de Covid-19, diversos segmentos econômicos foram afetados, direta ou indiretamente. A agricultura não passou ilesa, sobretudo a cadeia produtora de leite. Além da pandemia, no último trimestre de 2020 uma forte estiagem atingiu a região Extremo-oeste de Santa Catarina, afetando a produção de grãos, principalmente o milho e a soja, base da alimentação do gado. O dólar alto acabou elevando o custo dos insumos, em especial aqueles que possuem grãos em suas composições, o que deixou a situação mais difícil para o setor. De setembro de 2020 a fevereiro deste ano, o valor pago pela indústria aos produtores variou de R$ 1,79  para R$ 1,52 o litro do produto, segundo dados do Sindileite-SC. O agricultor de São Miguel do Oeste (SC) Seno Persch, trabalha no ramo há mais de 20 anos e observa que os valores não pagam os custos de produção. “Essa variação nos impacta bastante, porque a queda no preço do leite não acompanha os valores dos insumos, que continuam altos. Além disso, não sabemos o que está por vir e nosso trabalho com as vacas é contínuo e precisa de investimento. Já passamos por momentos muito difíceis, eu e minha família, mas essa fase atual está castigando”, complementa Persch.  Variações nos valores pagos aos produtores de leite gera instabilidade no setor. Foto: Katlen Karczewski. Por outro lado, a indústria também sofre impactos. O diretor da Cooper 25 de Maio, indústria de processamento de leite de São Miguel do Oeste, Adelar Bavaresco, percebeu oscilação no consumo desde...

Na pandemia, consumidores mudam hábitos e aquecem mercado de cosméticos naturais e veganos

Por Alessandra Dias* Foto: Alessandra Dias O mercado da beleza e cuidados pessoais tem voltado às atenções aos cosméticos naturais, orgânicos e veganos. Com a pandemia, essa tendência ganhou fôlego já que muita gente decidiu mudar hábitos e comportamentos ligados à escolha de um produto. Hoje o Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, segundo o provedor de pesquisa de mercado Euromonitor International. O estudo aponta que composições orgânicas e naturais são uma das três principais tendências globais do mercado.  Grandes e pequenas empresas têm voltado as atenções para esse nicho de mercado, cada vez mais emergente. Em 2020, a acadêmica de farmácia Bianca Oliveira fundou a marca Èmana Botanic em Chapecó (SC). A empresa é focada em produtos veganos, naturais e livres de crueldade animal na linha de cuidados com a pele. Na lista de produtos há cremes faciais, argilas, óleo corporal, sérum (dermocosmético) e outros. Foto: Instagram/ Reprodução Bianca reforça que atenta para a procedência dos ingredientes que utiliza. Atualmente, sua matéria-prima vem de uma empresa de São Paulo, além de adquirir alguns produtos da Amazônia e de uma amiga de Florianópolis. “É um produto que é feito de coração, especificamente pra ti, com aquilo que tu precisa. Tenho clientes que me falam ‘já testei de tudo e só o teu produto resolveu’. Além de ser a base natural, a acadêmica aplica Reiki em todos os produtos. “A minha marca não trabalha só com o aspecto de cuidar da pele de maneira superficial. A gente quer tratar nosso interno, é muito mais que um produto”, declara. Confira a entrevista sobre sustentabilidade...

Lockdown em Chapecó: Farinha pouca, meu pirão primeiro

Por Gabriel Augusto Scheffer* No dia 22 de fevereiro, pessoas se aglomeraram com medo do fechamento de supermercados devido ao lockdown parcial anunciado na cidade de Chapecó-SCFoto-Gabriel Scheffer Não! Esta matéria não é sobre culinária ou receita de pirão de peixe. O título com traços de ironia remete ao refrão de Meu pirão primeiro, do cantor e compositor Bezerra da Silva. Além da música, a expressão também é um ditado popular que expressa o egoísmo do ser humano em certas situações, de pensar apenas em si e não no coletivo. Em um contexto de crise causada pelo coronavírus, a frase fica ainda mais evidente.  Em 22 de fevereiro, os supermercados de Chapecó registraram filas quilométricas, aglomeração, empurra-empurra e nervosismo. A cena ocorreu antes mesmo do prefeito João Rodrigues anunciar um lockdown parcial na cidade devido ao colapso no sistema de saúde por conta da covid-19. Um áudio do próprio chefe do Executivo, inicialmente direcionado aos vereadores, acabou vazando e a população, em pânico, decidiu encher a despensa.  Mas a cena de pânico não foi exclusiva da pandemia. Em 2018, motoristas desesperados acabaram com a gasolina na cidade antes mesmo do início da greve dos caminhoneiros. Mas o que faz as pessoas agirem assim? É o que vamos discutir nesta reportagem. A influência do meio e das redes sociais  Há três motivos que podem explicar o pânico das pessoas em momentos de crise, entende a professora de sociologia da rede estadual de ensino Camila Pelegrini. A necessidade do ser humano conviver em grupo é o primeiro deles; na sequência vem a influência de outras pessoas no nosso comportamento, hábitos e...

“Dei uma aula”, diz enfermeira da linha de frente da covid-19 que confrontou paciente recém-positivada em supermercado

Por Fernanda Hinning* A auxiliar de enfermagem Ceonara Balen acabara de sair do trabalho, na Unidade Básica de Saúde após  tratar pacientes com Covid-19. Ao estacionar o carro no supermercado, deparou-se com uma paciente que há poucos minutos tinha descoberto que estava positivada para o coronavírus. Mesmo com o diagnóstico, a mulher resolveu fazer compras e saía do estabelecimento carregada com sacolas. Ceonara não pensou duas vezes e foi confrontá-la.  Áudio de Ceonara que ganhou repercussão “Eu falei para ela que era por causa de gente como ela que a situação está como está. Que a gente estava indo trabalhar com medo de morrer e de quem pode morrer por gente como ela”. O caso aconteceu em 27 de fevereiro em Pinhalzinho, no oeste catarinense, e ganhou repercussão nacional. Surpresa, a mulher pediu perdão para a profissional de saúde, arrependida. A mulher infectada é professora do município. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que iria dar os encaminhamentos para a professora que descumpriu o isolamento.  A situação flagrada pela auxiliar de enfermagem não é pontual. Na verdade, se repete dia após dia por parte da população que encara o coronavírus com desdém e ignora a gravidade da situação. Doze dias após o incidente, foi aprovada uma lei em Pinhalzinho que penaliza em R$ 1 mil quem descumprir o isolamento. Os positivados com coronavírus que forem flagrados na rua, terão que pagar a multa e serão escoltados para casa. Além disso, uma força tarefa organizada pela prefeitura em parceria com a Polícia Militar tem feito visitas às casas dos doentes para verificar se estão cumprindo o isolamento.  Enquanto nas...